70% dos Jovens Saem do Bolsa Família: Estudo FGV Revela Autonomia

Um estudo inédito da Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) revela que sete em cada dez jovens beneficiários do Bolsa Família em 2014 deixaram o programa até 2025. A pesquisa, divulgada aponta um movimento massivo de autonomia financeira entre a juventude, mas expõe desigualdades regionais e de gênero que ainda persistem no combate à pobreza no Brasil.
Dados Históricos Mostram Caminho para Autonomia
O levantamento, que acompanhou a trajetória dos jovens ao longo de uma década, indica que o programa social atua como um trampolim, e não como uma armadilha. A análise detalhada por região, gênero e local de moradia mostra que as condicionalidades em educação foram centrais para essa transição. Enquanto nas áreas urbanas 67% dos jovens deixaram o programa, no meio rural a taxa foi de 55%, refletindo desafios estruturais distintos.
Desigualdades Expostas: Norte, Nordeste e Zonas Rurais
A pesquisa da FGV identificou um abismo nas oportunidades. Mulheres, moradores de áreas rurais e das regiões Norte e Nordeste apresentam menor taxa de saída do Bolsa Família. O ministro Wellington Dias destacou que essas regiões concentram maior pobreza e menor acesso a infraestrutura e emprego. Quando os pais trabalham na agricultura, a taxa de saída dos jovens cai para 53%, contra 70% entre filhos de pais ocupados em outros setores.
Educação dos Pais é Fator Decisivo, Diz Especialista
O professor Valdemar Pinho Neto, pesquisador da FGV, foi enfático: a escolaridade dos pais influencia diretamente as chances de os filhos superarem a dependência do programa. “Os dados desmontam preconceitos. O Bolsa Família promove emprego e a superação da pobreza”, afirmou o ministro Wellington Dias, citando políticas de qualificação e crédito que estão sendo ampliadas.
Como o Programa Funciona para Gerar Independência
As regras do Bolsa Família são projetadas para incentivar a transição. As famílias precisam cumprir requisitos em saúde e educação. Um mecanismo crucial é a Regra de Proteção, que permite receber 50% do benefício por 12 meses mesmo após ultrapassar a renda mínima. Além disso, o Programa Acredita oferece qualificação, microcrédito e apoio ao empreendedorismo.
- Foco em Grupos Específicos: O Acredita prioriza mulheres, jovens, pessoas com deficiência e populações tradicionais cadastradas no CadÚnico.
- Combinação de Fatores: Os pesquisadores apontam que educação, trabalho formal e infraestrutura são determinantes para a redução sustentável da pobreza.
O Futuro: Consolidação de uma Geração
Os pesquisadores projetam que os próximos anos devem consolidar este movimento histórico de autonomia financeira. A trajetória desses jovens, agora adultos, serve como um termômetro crucial para a eficácia das políticas sociais brasileiras. A combinação de transferência de renda com acesso a educação e oportunidades de trabalho se mostra como o caminho mais sólido para quebrar ciclos intergeracionais de pobreza no país.



